Este é o cenário: um comercial de carro utilitário, que faz uma analogia entre a sutileza de um pequeno pônei e a robustez de um cavalo. Tudo no sentido comparativo. A proposta era apenas a de afirmar que aquele modelo de pick-up tem mais força e potência, pois seu motor tem cavalos de força e não poneizinhos delicados.
Há cerca de duas décadas, uma coleção de cavalinhos foi lançada para o público infantil, chamava-se: “Meu pequeno pônei”. Eram lindos pôneizinhos de borracha com crinas e caudas longas e sedosas que as crianças adoravam pentear. Eram coloridos e tinham perfumes diferentes. Uma “febre”, as crianças adoraram. E não fosse esse comercial, criado pela Lew’Lara/TBWA, tudo estaria como d’antes, sem que os pequenos pôneis tivessem sua imagem arranhada pela palavra “malditos”.
Cerca de 30 Denúncias chegaram ao CONAR(Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) órgão responsável por apurar denúncias de consumidores/telespectadores/fabricantes que se sintam ofendidos ou prejudicados pelo conteúdo de um comercial ou jingle. É função do CONAR, analisar as denúncias e decidir conjuntamente com o seu conselho, se o comercial deverá ser retirado ou não do ar, e caso seja necessário, aquele anunciante é orientado a se desculpar publicamente com a organização que sentiu-se ofendida. Pois bem, denúncias feitas, o CONAR agora analisa o conteúdo do comercial dos “Pôneis malditos”(essa foi a expressão que causou tanto rebuliço) a fim de emitir um parecer.
Analisei cuidadosamente todas as reportagens a respeito do assunto, e toda “celeuma” causada nas redes sociais, com direito a opiniões favoráveis e outras não. No Facebook, li cada um dos comentários postados até às 20 hs do dia 04/08, e venho por meio deste, me manifestar sobre o assunto. Na minha opinião, lamentável e desnecessário o episódio. O público parece não ter entendido o “felling” da coisa, e aí a confusão se concretizou. Não que eu tenha achado o comercial uma “coisa de outro mundo”, já vi melhores, mas também não vejo necessidade de ninguém procurar ajuda médica por não conseguir tirar a música da cabeça! Como diria José Luiz Datena, “ahhhhh, me ajudaí ow”! Se somos capazes de suportar esse celeiro de baixaria que são os reallity shows brasileiros(e que não tem hora para passar), as músicas que instigam sexo, drogas e violência, as bonecas que mamam, as mulheres fruta (eu até deixei de comer melancia de tanto nojo que tomei), e outras atrocidades visuais e auditivas, será que essa “confusão” todinha tem sentido?
Se toda questão é a imagem negativa causada pela palavra “maldito”, devemos orientar as bruxas das histórias em quadrinhos, os gatos pretos, gargamel, esqueleto e tantos outros a procurarem o CONAR e o Ministério Público, para “desassociação de imagem negativa” causada pelos fabricantes de brinquedos e desenhos animados.
A gente canta a musiquinha, tira uma onda, cria um “jargão” e daqui a pouco, quando surgir outra mais engraçadinha a gente esquece essa....não é melhor assim?
Eu sou Luciana Beserra, Designer, especialista em Design Estratégico, especialista em Marketing e Publicidade, e professora.
imagem ilustrativa da web.

2 comentários:
Gostei do texto, mas discordo em partes. De fato o estardalhaço foi muito grande em cima do comercial, mas acho no fundo o problema da publicidade em questão é que ela desrespeita uma série de dispositivos do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Utiliza simbologia infantil e faz uso de recursos que despertam medo (a versão completa presente no youtube traz quase no seu fim o "pônei" representado em vermelho, ameaçando quem não repassar o vídeo). Achei estranho o estardalhaço não por ser desnecessário, mas porque, infelizmente, outras normas do CONAR são constantemente desrespeitadas e pouco se faz, é o caso por exemplo das normas que dizem respeito a publicidade infantil. Se analisar-mos a realidade dos anúncios brasileiros elas parecem piada. Enfim, não acredito muito no CONAR enquanto órgão legítimo para contralar a ética da publicidade no Brasil por uma série de motivos. Acho que pouco adiantará o parecer do CONAR nesse caso, a publicidade foi feita e quando o órgão se pronunciar provavelmente já estará fora do ar e terá cumprido o seu papel de incitação ao consumo e a empresa terá vendido muitos carros. Lamentável. Precisamos de uma lei, ato regulamentar estatal sobre a publicidade. Enquanto ela não vier, a publicidade goza de uma liberdade que vem sendo utilizada de forma irresponsável.
Prezado Victor, obrigada pelo comentário, a publicidade, assim como outras diversas áreas tem órgãos regulamentadores que muitas vezes são reféns das "liminares" concedidas pela justiça. O fato é que para cada lei, temos recursos e mais recursos que invalidam a mesma. Isso impede o bom andamento das coisas. E quanto ao imaginário infantil, as nossas crianças não são mais como antigamente, vale lembrar que hoje elas jogam GTA nos PS e assistem malhação e novelas, ou seja...
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