(Imagem ilustrativa da internet)
Essa pergunta tem me acompanhado todos os dias, em quase todos os momentos. Observo as mudanças sociais, educacionais, culturais e me pergunto inconformada: “ONDE FOI PARAR O BOM SENSO?”
Na assembléia legislativa eu não achei. Na câmara de vereadores também não. Procurei pelas escolas, disseram que esteve lá, mas foi embora. Nas instituições de ensino superior, estaria? De jeito nenhum! Já sei, pode estar na TV.... “ôxe”, lá é que não está mesmo! Mas, então... ONDE FOI PARAR O BOM SENSO?
Diante de tantos questionamentos, me pus a analisar o contexto social no qual estou inserida, e também aqueles do qual não faço parte. Conclusões: “pára o mundo que eu quero descer”. Vivo num país que se diz “democracia”, mas sou obrigada a votar. Sou obrigada a votar em pessoas que eu não conheço, e sequer sabem que eu existo, mas dizem que eu faço parte do “seu povo” e por isso serão meus representantes e lutarão pela melhoria da minha qualidade de vida. Mas...eles nem sabem como eu vivo...como é mesmo o nome disso? Demagogia? Será? Esses que estão sempre tão preocupados comigo às vésperas das eleições, são os mesmos que eu nunca vejo depois “delas”? São os mesmos que roubam o meu dinheiro, e descumprem as leis que todos os dias ensino meus filhos a cumprir? Vivo num país que ama a imoralidade em todos os aspectos, que espera que sua população seja mais inteligente e consciente, mas que se esforça para “emburrecê-la todos os dias, confinando-as à currais, galinheiros, chiqueiros e outros “eiros”, sem pestanejar. O mesmo país que chama de “celebridades”, algumas figuras estranhas que se projetam a partir da livre exposição de seus órgãos genitais e sua falta de talento... e que relega ao esquecimento, mestres como os saudosos Drummond, Jobim e o velho Jofre.
Sacrifica-se a cultura e a informação em nome da audiência e do oportunismo. E no cinema, o recorde de bilheteria é a vida “sofrida” de uma prostituta de luxo. Observando “coisas” como a cidadania e o patriotismo, tão proclamados nas escolas até duas décadas atrás (saudades do professor Kléber, que ministrava com tanta austeridade a disciplina de OSPB – leia-se Organização Social e Política do Brasil), me decepciona a dureza da realidade que assisto.
Meu país é uma piada, e meu “povo” alterna continuamente o próprio “status”: de palhaços à donos do circo e de donos do circo a palhaços. (Acho que devo pedir desculpas aos palhaços e aos donos de circo por tão pejorativo comentário).
Enfim. Do quê orgulhar-me? Trabalho feito uma louca. Ética e moralidade fazem parte do meu dia-a-dia. Não pratico “roubadinhas” e nem vivo me aproveitando do acaso pra sair na frente. Nunca matei ninguém, apesar de ter sofrido bulling, nunca roubei ninguém, apesar de ser roubada todos os dias, nos bancos, nas ruas, nas contas, na vida. Todos os dias alguém me rouba alguma coisa, e vivencio tudo... IMPOTENTE. Assisto desanimada o despencar da qualidade do ensino, e a morte silenciosa dos ideais dos jovens....tendo seus anseios substituídos pelo sentimento de “estando bom para mim, dane-se o resto”. Valores morais totalmente deturpados, valores sociais adaptados aos interesses de cada um, valores familiares, perdidos no individualismo, tipo: dou o que você quer e você não me incomoda. (isso vale para pais e para filhos).
São 23:51... cheguei hà pouco do trabalho...ainda nem jantei. O que será que me inspirou? O desejo de mudar essa realidade ou a certeza de saber que ela não muda? A tristeza de conviver com a “aculturação de massa” ou o anseio de construir informação continuamente?
A beleza de dizer “eu faço a minha parte” ou o lamento por não conseguir que cada aluno meu, faça a sua? Escrevi...escrevi...escrevi... é claro que muitas coisas que eu penso não foram aqui esplanadas... refleti, refleti, refleti e...desisti de procurar o BOM SENSO.
Eu sou Luciana Beserra, Designer, especialista em Design Estratégico, especialista em Marketing e Publicidade, e professora.
Artigo dedicado ao querido Jorge Prado, pelo compartilhamento destas idéias.

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