Que o ensino
público e o sistema penitenciário tem suas semelhanças, isso nós já sabemos.
Que o poder público e a “burrocratização” no Brasil são facilitadores do caos
social, isto também já sabemos. Que “governo vai governo vem” e os problemas
não mudam, também já sabemos. Que do ponto de vista financeiro, (ou seja,
“din-din, grana, money, bufunfa”) quem vai arcar com as despesas de mais uma
escola depredada em nossa capital, isso é que nos sabemos MESMO. Mas, e no âmbito
social, psicológico, emocional, Quem vai pagar essa conta?
Segundo
informações passadas pela imprensa, um aluno da escola estadual 7 de Setembro,
no bairro da Ponta Grossa, teria agredido uma funcionária, fato este que teria
motivado a direção da escola a chamar a polícia. Os estudantes acusam a polícia
de agir com truculência, e como forma de protesto (pasmem os senhores) deram
início a um “quebra-quebra” que resultou em bebedouros, ventiladores e cadeiras
quebradas, além de salas pichadas e prejuízo coletivo.
Pergunto-me?
Esses indivíduos vão arcar com os prejuízos financeiros? Que forma “imbecil” de
protestar é essa, que gera ônus para todos? Quem disse a esses jovens
infratores que eles poderiam tratar o patrimônio público de modo tão leviano. E
mais, esses são os mesmos que cobram do poder público, melhorias,
infra-estrutura e melhores condições de estudo? Mais um PARADOXO ALAGOANO?
A agressão
contra uma funcionária da escola por si só, já é um absurdo; reflexo do processo
de desvalorização social, que faz qualquer indivíduo achar que pode expor o
outro a humilhações, agressões e assédio moral. Posteriormente, a necessidade
de intervenção policial, uma vez que os envolvidos na confusão transformaram-se
em “bestas indomáveis” dispostas a tudo. Mais à frente, a prisão de vários
deles, para esclarecimentos, e por fim, o prejuízo moral, financeiro e
pedagógico àqueles que não participaram da “tourada”.
Sem contar
que, aquela mãe que sabe que seu filho ou filha não compactua com esse tipo de
comportamento, que segue diariamente para a escola em busca do conhecimento,
agora certamente não se sente segura em deixá-lo ir para a escola.
Há dias
jovens garotas protagonizaram um verdadeiro espetáculo pornô na hora do
intervalo numa escola pública, fato que chamou a atenção de mães e pedagogos
para o que acontece dentro das escolas, nos momentos em que os jovens estão
reunidos, fora das salas de aula.
Uso de
drogas, problemas familiares, bulling, falta de posicionamento pessoal e outros
fatores colaboram para comportamentos repugnantes e intoleráveis desses jovens
sem limites. Somado a tudo isso, um estatuto que os protege dando-lhes a
certeza da impunidade. Sofre a família e sofre a sociedade já tão carente e
necessitada. O fato é que, enquanto não conseguirmos enxergar a violência
juvenil como um problema de gestão pública, pouco poderá ser efetivamente
modificado, pois a realidade que se apresenta não é causada por problemas
isolados e fatos pontuais, e sim por uma conjuntura de oportunidades para se
fazer o mal, na certeza de não precisar responder por ele.
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